Murray e a concha para feijão

Um vira-lata andando por aí, procurando a sua comida do dia... Quantos cães assim vemos todo dia? Infelizmente muitos...

Só que ele foi atropelado por um ser humano cruel e seu carro. Ser humano que foi embora e nem olhou pra trás pra ver o que tinha acontecido... Socorrer o animal? Nem pensar! Os funcionários de um posto de gasolina viram, gritaram, correram, mas não conseguiram ver a placa do carro...

Foi socorrido, mas ninguém podia ficar com ele.

Nos primeiros dias não andava... Seria possível salvá-lo?

Depois de alguns dias começou a andar, o que significava que não tinha fraturas. Ele conseguia se movimentar se apoiando só com as patas da frente! Era inacreditável! Pelo menos ele conseguia escolher e ir a um lugar pra tomar sol...

Ele não tinha fraturas, mas teve uma lesão no nervo... Assim, perdeu o controle da urina e das fezes e a sensibilidade da parte traseira. Não movimentava o rabo, sempre caído. Pelo desvio que ele tem na coluna, o carro possou por cima dele.

Por não ter sensibilidade na parte traseira e por se arrastar muito no primeiros dias, Murray se "auto-castrou"! Que sufoco!

Murray começou a andar com as quatro patas, mas arrastava as patas traseiras e seus "pés" ficavam virados, já que não sentia dor. Com isso aparecem feridas.

Encomendamos uma tala para cães com esse problema, mas essa era feita de um material fraco para o Murray. Ele queria andar, correr, latir como os outros cães! O que fazer pra tentar dar a ele uma vida mais próxima possível do normal?

Que tal uma concha para feijão como chinelo? O pé dele se encaixou perfeitamente na concha, comprada numa loja de R$1,99! Com um pouco de imaginação, o ser humano pelo qual o Murray nutre o maior respeito e admiração bolou seu chinelinho.

Murray tinha uma coleção de chinelinhos-concha! Todo dia ele era chamado, vinha correndo, tiravamos um chinelinho, faziamos a limpeza e os curativos para seus machucados e colocavamos o outro chinelinho! Os chinelinhos lavados eram colocados pra secar no varal! Acho que Murray chegou a ter seis chinelinhos.

Murray também ganhou uma casinha epaçosa!

E foram meses e meses usando os chinelinhos...

Com os curativos, as feridas foram fechando.

Até que um certo dia Murray comeu o chinelinho! Ele nunca tinha feito isso! Nós o deixamos sem o chinelinho e observamos... Ele não precisava mais dele! Estava andando e apoiando o pé normalmente!!! Como nos avisar? Sua única alternativa era comer o chinelinho!

Mandamos a história dele para um concurso. A pergunta era: o que você aprendeu com seu cão? A maioria dos inscritos era de raça... Será que um vira-lata comum seria escolhido? Acho que não...

Não importa, ele nos ensinou algo muito importante: não desista, nunca! Lute e você será recompensado!

Ele lutou e foi!

Murray viveu bem, dentro das suas possibilidades, claro. Banhos regulares, quase diários, eram necessários. Ficou forte, começou a mexer o rabo, coisa que não fazia. Ele nos deixou muito cedo, era ainda muito jovem...