Aqui estão histórias de alguns animais. O trabalho de proteção animal é uma luta diária, com vitórias e derrotas. A cada vitória, uma vida salva e a felicidade nos olhos dos bichinhos. A cada derrota, pelo menos uma tentativa feita, restando apenas a saudade...

Molly Blue

Mas Molly Blue é vermelha? Você precisa ler a história toda pra entender!

A família da Barra Funda

Ao lado de um estacionamento na Barra Funda existe uma obra inacabada e abandonada. Isso é comum na região... Não demorou para jogarem alguns gatos lá... Primeiro vimos a fêmea com as tetinhas cheias de leite. Ela não deixava ninguém se aproximar, mas logo se rendeu quando começou a ganhar ração seca. Não queria outras coisas, queria ração seca. E era pontual, todo dia vinha comer. Recebeu o nome de Penelope, como no desenho animado, pois parece aquela gata que o gambá Pepe quer namorar. Nisso apareceu seu marido, que mais tem cara de seu irmão, que chamamos de Randolph. Um gato de rua não castrado que briga por aí e quer carinho? Randolph escalava nossas calças pedindo comida. Ração seca de boa qualidade de preferência. Randolph veio completamente estourado. Foram meses de cuidados para que voltasse a ser galã de cinema.

Um dia junto com eles veio uma pretinha de uns 6 meses. Filha deles? Foi retirada de lá com o Randolph. Seu nome é Kiri. Chegou MUITO assustada e ficou um bom tempo pra ser amansada. Hoje dorme na cama e ama que cocem sua barriga! Porque deixamos Penelope por último? Porque não conseguiamos entrar lá e ela tinha filhotes. Um dia ela nos trouxe seus bebês, apneas duas meninas que nos deram um trabalhão pra pegar: Honey e Bee. Branquinhas com manchas pretas, lindas, mas uns leões de tão bravas. Lógico, nunca conviveram com humanos...

Desde o começo Bee não brincava, havia algo errado com ela e não conseguimos ajudá-la. Ela se foi em poucos dias. Honey cresceu e fez amizades com todos os gatos de seu novo lar. Hoje ela é Honeybee para que nos lembremos de sua irmã que foi embora tão cedo. Sua maior diversão? Caçar o ponteirinho do mouse no monitor!

Doris

Essa é uma homenagem à Sra. Doris, que se foi quando a Natureza decidiu que ela tinha cumprido o seu papel.

Claire

Claire foi deixada no estacionamento de um hipermercado. Ela ficou rodando em volta do mesmo lugar durante horas.... Ninguém parecia se importar. Havia algo errado, nenhum cão ficaria desse jeito.

Só fomos descobrir o que ela tinha no final de sua vida. Ela deve ter tido cinomose quando jovem. Ficou com sequelas, andava e caia, não enxergava, chorava algumas vezes. Mesmo com esses problemas tinha uma vida "normal". Conseguia comer, adorava um carinho. Não percebemos que a cada dia ela piorava um pouco. Foi a um neurologista, tentamos, mas as lesões deixadas pela cinomose começaram a ser atacadas novamente, agora pelo seu próprio organismo. Nos seus últimos dias, Claire não conseguia mais se manter em pé. Queria comer e não conseguia. Não existia solução a não ser a eutanásia. Não podiamos deixá-la sofrer.

Acreditamos que Claire diria a todos se pudesse: vacinem seus cães, não os deixem pegar essa doença que me fez sofrer tanto!

 

Dengoso e Zangado

Quem acreditaria que esses gatinhos mirradinhos e doentes se recuperariam? Lutamos muito para que melhorassem, mas temíamos o pior... Estavam desidratados, famintos, cheios de vermes e ainda tinham sido abandonados! Eles demoraram a crescer, mas quando começaram... viraram dois lindos gatões!

Brutus

Essa é uma história antiga, mas nosso querido Brutus merece essa homenagem.

Sentimos muito a sua falta BruBru!

Branco

O Branco foi encontrado completamente desnutrido perambulando no estacionamento de um hipermercado. Ele foi visto dois dias seguidos e várias tentativas para lhe alimentar foram feitas. Até um bife ele teve chance de comer, mas não comia! Estava se entregando, em estado de total inanição e sujeira.

No terceiro dia, as tentativas de aproximação tiveram sucesso e ele foi recolhido. Não queria comer... Foi direto tomar soro. Os primeiros dias foram críticos, mas ele foi se animando. Quase um ano depois seu dono apareceu. Foi conhecê-lo, se apaixonou. Pediu mais dois meses para acertar alguns detalhes pessoais e poder recebê-lo da melhor maneira possível. Dois meses de espera, mas sabendo que a espera seria recompensada.

E como foi! Quem o vê nessa foto não imagina como ele era assustado e medroso, mal sabia andar de coleira e guia. Receber notícias e fotos dele nos enche de alegria e nos dá esperança quando olhamos nos olhos daqueles que ainda procuram um lar.

Melhor ainda foi o que seu dono escreveu: "Como eu gosto desse cachorro!".

Cheddar e Milk

Acho que dá pra imaginar quem é o Cheddar e quem é o Milk, certo? Aposto que esses dois gatinhos se lembram do dia dessa foto... Dois irmãos abandonados bem novinhos, há muitos por aí assim. Foram recolhidos, ficaram numa casa um tempinho. A pessoa ia viajar e não podia mais cuidar deles. Foram para outro lugar, uma clínica veterinária. Lá não havia espaço, assim foram colocados numa caixa de transporte. E não era das grandes, era uma daquelas pequenas de transportar gatos! Lá ficaram semanas e semanas. Morando as 24h do dia e os 7 dias da semana na caixa! A gente pode até entender, infelizmente o número de animais abandonados é grande, mas crescer numa caixa não dá...

Ficaram anunciados para adoção um bom tempo. Ninguém queria adotar os dois juntos...

Um dia uma pessoa os levou embora, só por uns dias, pra esticarem as pernas. Era o que ela podia fazer pra ajudar. A estadia na caixa se prolongava e eles estavam ficando atrofiados... Foi o dia da foto, quando eles se viram soltos num quarto. Pra quem viva na caixa era uma imensidão! Essa pessoa tem muitos animais, não podia ficar com eles... No desespero, chegou a fazer a maldade de devolvê-los. Não dormiu aquela noite pensando nos dois. No dia seguinte foi até a clínica. Estavam na caixa, com cara de tédio, as patas pra fora da grade da porta. Quando a viram ficaram agitados, provavelmente pensavam se aquela porta se abriria novamente. Demorou, foram 137 km de viagem, mas ela se abriu :) Era uma casa grande, com vários outros gatos. Incrível como se sentiram em casa, andaram por todos os cômodos, subiram em tudo, fizeram amigos. Derrubaram metade das coisas das estantes. Cairam dentro do vaso sanitário. E se divertiram, como se divertiram...

São inseparáveis até hoje. Infelizmente ficaram com as pernas traseiras um pouco tortas, devido ao confinamento, mas nada que os impeça de continuar aproveitando cada minuto de liberdade.

E a pessoa que fez a maldade de devolvê-los pra depois buscá-los? Levou uma bronca, ouviu "mais dois?" e por aí vai, mas sabe que não se pode mudar o destino...

Barbie

Essa não é uma história com final feliz... É uma homenagem. Barbie tinha pouco menos de 1 ano de idade, estava abandonada nas ruas de Tatuí. Mesmo não sendo filhote não conseguiu vencer a cinomose. Em poucos dias essa doença a deixou com seqüelas, sem poder andar, sem conseguir comer e tendo convulsões... Dessa vez a história não vai ser imparcial, não consigo... Eu (Cristina) fiquei com ela até o fim, nos meus braços ela parou de sofrer. As convulsões aconteciam a cada 5 minutos na nossa última noite juntas. Como sinto sua falta, minha menina. Eu sei por que você me seguiu aquele dia, você sabia que estava doente e não queria morrer na rua. Mesmo que tenham sido apenas algumas semanas juntas quero que saiba que ainda te amo e nunca vou te esquecer.

Pudinho

Quem vê essa foto pode não se impressionar muito. Pode até achar que estamos exagerando. Mas, quem o pegava no colo entrava em desespero pela sua magreza... O pêlo escondia. Esse menino de uns 4 meses tinha dono e um lar. Ficava trancado num quarto escuro 24 horas por dia e 7 dias por semana. Sozinho. Se o local era limpo uma vez por semana era muito. Comida? Arroz... Pra que ter um animal se é pra tratar desse jeito? Bom, foi sequestrado de lá. Quase um mês pra dar uma engordada e poder ser castrado e vacinado. Foi doado, mas pra um dono e um lar de verdade!

Chip

Chip estava dormindo enroladinho num posto de gasolina. Um rapaz se comoveu com sua situação e o recolheu. Estava com um baita machucado na perna que foi tratado. Esse rapaz não tinha como ficar com ele, mal tinha como se manter. Chip ficou meses morando num banho e tosa. Foi anunciado no site e nada de adotante pra ele... No desepero foi doado por esse rapaz para uma senhora. Mesmo sem ter assinado termo de adoção tudo parecia bem. Parecia, por que a mulher o largou na rua! Ficou algumas semanas sendo alimentado pelo dono de um barzinho próximo a uma favela. É inevitável, ele precisa de uma tosa de vez em quando. Quando o reencontramos estava gordinho, mas estava o próprio Chip Marley! Não conseguimos tirar foto dele antes da tosa emergencial, mas deu pra tirar de algumas placas de pêlo que se formaram! O Paulo teve a maior paciência do mundo pra tosá-lo, não porque ele é agitado, na verdade é um anjo, mas pra tentar deixá-lo com um pouco de pêlo por causa do frio.

Destino é destino, certo? Quando ele foi anunciado uma pessoa se apaixonou por ele, mas não podia adotá-lo naquele momento. Quando soube que ele estava precisando de um lar novamente não teve dúvidas: adotou o Chip! Hoje ele é o companheiro de uma linda poodlezinha também recolhida das ruas. Não é mais Chip Marley, seu pêlo está lindo e recebe todos os cuidados pra que continue assim.

E como está a vida dele hoje? Todo dia ele ganha abraços do sua dona e ele adora :)

Batatinhas

Meu nome agora é DeeDee. Eu sou extremamente inteligente, eu olho pras pessoas enquanto elas falam pra prestar atenção no que elas estão dizendo. Então eu gostaria de contar a minha história e a das minhas duas irmãs. Nós não pedimos pra nascer, mas já que isso aconteceu temos direito a uma vida digna. Na verdade, muitos amenizariam nossa situação, diriam que somos "mestiças de border collie" e não vira-latas. Eu não me importo, sou vira-lata mesmo, não tenho raça definida. Digo isso porque nascemos do cruzamento de uma vira-lata com um border collie. Sabe por que nascemos? Porque uma pessoa que se diz criadora da raça encontrou nossa mãe na rua, cuidou dela e cismou que ela era border legítima. Quando a viu namorando com nosso pai comemorou, pois achou que nasceriam muitos bordinhos que poderiam ser vendidos... Mas aí nós nascemos... Éramos 8. Nossa mãe é uma cadela muito sofrida, não tinha parte da língua, não conseguia cuidar de nós! Ela tentava, mas não conseguia. Meus irmãos foram morrendo, um a um. Sobramos nós três: eu, Colleen, e Buffy. Colleen é parcialmente cega, de nascença. Eu e Buffy saiamos correndo e Colleen estava sempre perdida. Nós crescemos presas numa cozinha. Sim, isso mesmo. Afinal, não eramos mais uma fonte de renda, mas um problema... Não tinhamos espaço, queriamos brincar e estavamos sempre sujas, pois não havia espaço pra fazermos nossas necessidades. Colleen, que é branca, era amarela. A gente fedia bastante... Um dia essa pessoa estava numa situação difícil e tinha que se livrar de nós. Fomos resgatadas pela pessoa que hoje é nossa avó. Ficamos assustadas, não conhecíamos nada! Coitada da nossa avó, teve que nos dar vários banhos até que nosso cheiro melhorasse. De repente a gente estava num lugar grande, podíamos correr, brincar, fazer nossas necessidades e não rolar nelas! O que demorou pra melhorar foi a sarna, viemos com ela por causa da falta de sol. Foram meses de banhos com sarnicidas pra ficarmos bonitas. E sabe o que encontramos quando chegamos nesse lugar? Comida!

Uma ração boa e que podíamos encontrar em vários lugares e a todo o tempo! Olha, a gente literalmente tirou a barriga da miséria!!! Era self service e não nos envergonhamos! Como comemos! E como crescemos, viramos umas toras! Sabe, acho que tivemos muita sorte... Já fomos castradas e não teremos filhotes que vão sofrer na rua. Eu ouvi coisas como pessoas me quererem por eu ser mestiça de border, pra poder cruzar com border e apurar a raça. Acho que queriam vender meus filhotes... Pior ainda é a situação da minha irmã Buffy, pois ela tem características de border. Queriam até vendê-la dizendo que era de raça pura... Puxa, não somos mercadorias! Temos sentimentos! Viramos lixo como qualquer outro cão! Destruimos as coisas também! Não há nada que nos faça melhor que os outros. Espero que as pessoas percebam isso um dia...

Felícia

Sair com a Felícia na rua é ouvir das pessoas: "que raça é? quero um igual!". Pois é, VIRA-LATA! Quem a vê hoje não sabe o que essa menina passou... Ela foi encontrada muitos anos atrás no LIXO, sim, um saco de lixo se mexia numa avenida de São Paulo. O que tinha no saco? Uma cadela filhotona sarnenta, sem pêlo, fedida... Nem imaginávamos que ela ficaria assim, não dava pra saber que cor era seu pêlo! Mas a Fefê só foi conhecer a verdadeira felicidade no seu segundo lar. Ela foi adotada e devolvida e depois adotada por uma pessoa MARAVILHOSA :)

Pelúcia

Antes: Essa coisinha minúscula foi encontrada se arrastando na rua. Foi recolhida por uma pessoa pobre que não aguentou vê-la desse jeito. Essa pessoa pediu ajuda e aí percebemos que a Pelúcia tinha algum problema mais sério... Ela tem seqüelas de cinomose... Como ela sobreviveu a essa doença terrível não sabemos, se tinha dono e por causa das seqüelas a abandonaram ou se pegou essa doença na rua e conseguiu sobreviver. Ela é feliz, gosta de carinho e de brincar, mas tem alguns tiques muito fortes, as vezes chora de noite :( Fez sessões de acupuntura e tomou remédios bem caros, seus tiques melhoraram MUITO, mas é um caso especial.

Depois: Foi adotada pelo Dr. Pedro da Clínica Veterinária Saúde Animal! Ela precisa mesmo de muitos cuidados, então ser adotada pelo vet que a tratou gratuitamente é bom demais!!! Como não se apaixonar por ela???

Fanny

Antes: Uma linda Golden Retriever estaria a salvo do descaso e dos maus tratos? Não... Ela estava em sua "casa" com seu "dono" que a "amava" morrendo de fome e cheia de sarna!

Depois: Pra convencer o "dono" que a "amava" a deixá-la ir para um tratamento (que ele nem teria que pagar) foram MESES. Foi uma luta... Imagine se ela não fosse amada, como estaria? Ficou num lar temporário, foi tratada, melhorando aos poucos. Estava ficando linda! Nem estava 100% e foi adotada! Era dia de festa, dá pra ver na foto :) Encontrou uma DONA que a AMA de verdade!

Meguinho e Grace

Antes: dois poodles abandonados em lugares diferentes, duas histórias tristes...

Meguinho foi encontrado pela manhã num buraco numa rua de terra. Estava com muito medo e sentia muitas dores, tanto que não deixava ninguém pegá-lo. Quando finalmente foi retirado do buraco e percebeu que ninguém mais lhe faria mal se transformou num cãozinho extremamente meigo e dócil. Completamente enroscado, sujo e cheio de carrapatos.

Grace foi abandonada pelos próprios donos, ficou sozinha vagando pelas ruas até ser recolhida.

Depois:

Meguinho tomou vários banhos, teve que ser tosado primeiro na tesoura e depois num pet shop, comida, vitaminas e muito carinho e o sapinho se transforma num príncipe! Lindo e meigo, curtindo sua aposentadoria, pois é velhinho!

Grace é bem jovem e recebeu muito carinho pra superar o trauma do abandono.

Hoje os dois vivem juntos no mesmo lar com donos responsáveis. Ambos estão castrados e não são usados para procriar, fazem parte da família e não são objetos que podem dar lucro!

Quem os vê hoje não acredita que sofreram tanto...

As pessoas precisam entender que esses cães são lindos, mas para ficarem como na foto é preciso escovar, pagar banhos e tosas... Isso tem um custo mensal que deve ser considerado por quem adota ou compra um bichinho peludo. Infelizmente isso não acontece, por isso vemos tantos animais de raça abandonados, porque cresceram demais e não há espaço, são agitados demais e destroem a casa, dão despesa com comida, veterinário ou banhos, etc.

Então... ADOÇÃO/COMPRA CONSCIENTE e POSSE RESPONSÁVEL!

April

Antes: cega e surda, foi abandonada aos 2 meses e viveu confinada num abrigo até os 2 anos. Era muito assustada e não deixava ninguém pegá-la, estava com sarna demodécica e seu olho nem abria, cheia de carrapatos e muito magra...

Depois: 100% recuperada da sarna demodécica, tomando vitaminas, comendo uma boa ração e FELIZ em um lar com muito carinho e mimos!